Em muitas áreas da economia, o catálogo é muito mais uma vitrine de produtos para estimular a compra e divulgar a marca de uma empresa do que uma ferramenta de trabalho.
Mas, no caso dos arquitetos, principalmente os de iluminação, ele é uma importante fonte de informação na hora de especificar e elaborar um projeto. Entretanto, ao contrário do que acontece no exterior, muitos catálogos nacionais não oferecem todos os dados e informações de que um lighting designer necessita. Mas isso está mudando.
Os primeiros catálogos de iluminação no Brasil eram copiados do exterior, conforme lembra o doutor em iluminação e pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP) Elvo Calixto. Assim, dados foto métricos, dimensões, densidade, curvas de distribuição e outras informações eram copiados e replicados, até mesmo para produtos diferentes. "Não tínhamos capacidade de gerar dados fotométricos naquela época", afirma Calixto.
Isso começou a mudar com o fortalecimento das empresas de iluminação e com o crescimento do mercado no Brasil- vale lembrar que ainda hoje 6,5% da população não têm acesso à energia elétrica, o que mostra que este é um mercado ainda em evolução. Um dos primeiros goniofotômetros a chegar ao Brasil veio da Inglaterra e foi instalado em Avaré, interior de São Paulo. Muitos anos depois, ainda são poucos os laboratórios de fotometria no País. Para se ter idéia, foi apenas no ano passado que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) conseguiu comprar um goniofotômetro de alta tecnologia e extrema precisão, o qual permitirá muitos avanços na área e melhorará a qualidade e geração dos dados fotométricos por aqui.
Em comparação com a Europa, por exemplo, as medições fotométricas são recentes no País. Assim, os catálogos brasileiros ainda têm um longo caminho pela frente para alcançar o nível de detalhamento e qualidade dos internacionais. Se serve de consolo, esse caminho está sendo percorrido a passos largos e apressados nos últimos anos.
Os catálogos de iluminação são preparados, em sua maioria, pelos técnicos dos fabricantes, no que diz respeito às informações luminotécnicas e de produção e acabamento. Há profissionais da área de comunicação visual que estudam a melhor forma de diagramação e de transmissão das informações, geralmente arquitetos ou artistas gráficos, mas que não são especialistas em iluminação nem em catálogos. Essa equipe resume aquilo que o fabricante quer passar.
Para fazer um bom catálogo, entretanto, é preciso conhecer as necessidades de cada público. O cliente final, por exemplo, compra o produto levando muito mais em conta a estética, a apresentação e o consumo energético, por exemplo. O arquiteto se preocupa com dimensões e design, enquanto para os luminotécnicos é essencial oferecer os dados foto métricos, a distribuição de intensidade luminosa. Dessa forma, para entrar no mercado de light design e se tornar um fornecedor desse segmento, os fabricantes de luminárias, lâmpadas e reatores têm de conhecer profundamente as exigências e necessidades desses profissionais. E, para isso, a melhor maneira é ouvir o que eles têm a dizer.